Médico na linha de frente conta como tem sido o combate a pandemia do novo Coronavírus na UPA de Colombo


Sobre o contêiner ele foi categórico “Infelizmente sim. Várias vezes.”

Unidade de Pronto Atendimento Alto Maracanã | Foto Ale Schneider


Dr. Wagner Sabino
Um relato de quem vive diariamente frente a frente com o novo Coronavírus, o Médico Wagner Sabino, nos relata a rotina e tudo que passou desde o início da pandemia.

O Doutor que é médico na rede pública de Colombo e Curitiba em entrevista exclusiva ao Rede de Notícias Paranaense, contou os detalhes de uma rotina exaustiva, de medo, e de percas que ele e sua equipe vivenciam no dia-a-dia na UPA do Maracanã em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.

E como médico da capital, fez um breve comparativo com Colombo e disse “contamos com mais estrutura de trabalho tanto em recursos humanos como materiais. Os elogios são diários em vários pontos superamos sim Curitiba.”

 
Exame de sangue para identificar o novo Coronavírus
Imagem: Internet

Doutor a pandemia chegou por aqui a cerca de três meses, este período inicial na UPA, foi como? Tranquilo ou de muita histeria e medo? "No começo tranquilo, poucos casos respiratórios, mais com muita preocupação e medo da população, mais acatamos e tomamos todas as medidas orientadas pelo MS e secretária municipal da saúde do município. Orientando ao mesmo tempo a população sobre o Coronavírus."

Quando tivemos o primeiro caso em Colombo, como foi a reação da equipe da UPA? "De preocupação sabendo q os casos poderiam aumentar muito rápido a partir do primeiro caso."

E o primeiro Caso confirmado na UPA foi um caso tranquilo ou demandou medidas mais atentas? "Todos os casos suspeitos moderados ou graves são encaminhados ao hospital e coletados os exames para saber da existência do vírus no organismo. Os resultados vinham dias depois a vigilância epidemiológica no qual ficávamos sabendo ao acompanhar o informe epidemiológico. Então estes casos não foram nada tranquilos. Precisavam de atendimento hospitalar."

Tivemos um médico que atendeu sob suspeitas e depois confirmou que ele estava com Coronavírus, isto não gerou medo de o resto da equipe também terem sido contaminados? "Sim gerou preocupação, mais foi devidamente afastado e todos os profissionais estiveram sob monitoramento da vigilância epidemiológica."

A UPA tem capacidade para atender quantos paciente de COVID-19? "Casos simples todos. Moderados ou graves que precisa de internamento hospitalar atual de 3. Mas podemos aumentar esta capacidade para 20. Com lotação máxima só para COVID, não tendo possibilidade para outros casos de internamento."

O senhor ou alguém de sua equipe já teve a perca de um paciente, estando na UPA ou que foi transferido para um hospital? "Infelizmente sim. Mais alguns confirmados dias depois.

Temos muitos relatos de mortes de profissionais da saúde, este medo permeia entre sua equipe? E como é o suporte emocional para vocês? Sim vemos o profissional mais preocupado e redobrando os cuidados. A secretaria e coordenação tem oferecido apoio psicológico e acompanhamento a quem quiser. E monitoramos a cada um dos profissionais sobre a questão emocional."

Doutor temos os relatos de muitos pacientes que passaram pela UPA e foram supreendentemente muito bem atendidos, o  senhor atende em outras cidades também, em um comparativo breve, o Senhor acha que a UPA de Colombo está bem já que por exemplo na capital a muita reclamação da estrutura e atendimento? "Com certeza melhorou os atendimentos ficou mais humanizado e contamos com mais estrutura de trabalho tanto em recursos humanos como materiais. Os elogios são diários em vários pontos superamos sim Curitiba. Claro que podemos ter mais qualidade de atendimento ainda a população como um hospital. Mais isso depende de recursos."

No último mês os casos em Colombo subiriam a curva de forma rápida e chegamos a ter óbitos, aumentou somente o número de casos ou aumentou o número de pacientes? "Aumentou tudo. Aumentou o número de Casos e Óbitos assim como a demanda no pronto-socorro de maneira surpreendente. Chegando a ter que deslocar mais médicos para dar conta deste setor que hoje é prioridade."

Há um contêiner refrigerado para manter os corpos de possíveis ou de casos confirmados de COVID-19, ele já chegou a ser utilizado? "Infelizmente sim. Várias vezes."

A população não tem levado a sério, o senhor estando em contato diário com a doença vê esta postura populacional de Colombo como? "Infelizmente existem ainda muita gente que não se cuida e coloca a vida dele e de outras pessoas em risco. Isso é muito grave e contribuiu para aumentar o número de casos e óbitos não somente em colombo mais nas regiões próximas."

A última semana foi como? Piorou mesmo a quantidade de pessoas que precisaram de atendimento e de transferência hospitalar? "Sim muito. Até chegar ao ponto de não ter vagas de UTI para encaminhar pacientes que precisa de cuidados especializados. Agora existem poucas vagas hospitalares não somente para COVID 19 mais também para outras doenças aumentando agora a permanência dos pacientes nos pronto-socorro. Estamos em uma guerra e estamos perdendo. Por isso a união faz a força se cuidem assim todos estaremos salvando vidas. A situação é gravíssima."
Entrevista Exclusiva ao Portal Rede de Notícias Paranaense, em caso de replicarem solicitar ao Portal autorização.

Por Ale Schneider