Jogadora Aninha denúncia Curitiba Vôlei por Maus-Tratos e Dívidas: ‘Vendi tudo que tinha. Me senti um lixo, descartável. Rato de laboratório’

Aninha jogadora até então do Curitiba Vôlei através do Blog do Bruno Volch, do Estadão, fez um desabafo impressionante, denunciando situação de maus-tratos por parte da equipe curitibana, e por calote.


Ana Eliza Caetano de Camargo, conhecida popularmente como Aninha, que rapidamente se tornou uma das atletas mais importante e popular da equipe paranaense, relatou toda sua história. contou quem em 2016 ela jogou o campeonato paranaense pelo Cascavel e terminou a competição como melhor líbero, foi ai então que recebeu o convite para ser jogadora da equipe Curitiba Vôlei recém criada, para jogar a Superliga B.

Na primeira temporada 2016/17 ela relatou receber apenas 750,00 R$, ela achava estranho, por ser uma competição de alto nível, e de abrangência nacional, mas aceitava pois acreditava que a sua idade influenciava mas com o tempo e experiência ela teria os valores ajustados. A competição terminou, com a equipe em 2º Lugar, ela então foi convidada a renovar com a equipe, mas com o mesmo salario, pela empolgação de jogar a Seria A da liga, com jogadoras famosas, e com o ótimo elenco montado pela equipe paranaense ela aceitou e renovou para a temporada 2017/18. Ela disse que foi ai que as coisas ficaram estranhas, o clube prometia salário, moradia e alimentação, chegando na apresentação ela foi morar numa kitnet junto de outra atleta, passado alguns dias uma jogadora da equipe mais velha teve problemas na família e pediu ao clube um local pra morar, então pediram que Aninha saísse do local.

A atleta em entrevista ao blog do estadão "Eles me deram duas horas para sair do lugar onde estava morando para abrigar outra atleta. Só que eles não deram outro local para eu ir. Apenas disseram para deixar e pronto. Eu me senti um lixo, simplesmente descartável. Fui dormir na casa de uma outra atleta que era daqui de Curitiba e se não fosse ela não sei como teria passado aquela noite." disse ela.

Ela que tinha recém inciado um namoro na capital, com apenas 4 meses, se viu obrigada a morar na casa do rapaz e da sogra, pois não teria local para morar, terminando a competição ela seguia morando na casa da sogra.

Um dos abusos psicológicos, ocorreu quando a líbero titular se machucou e ela foi escalada, ai então que em um treino, falaram ‘Não precisa tentar colocar o passe na mão igual a outra líbero, tá? Tenta só deixar a bola no meio da quadra que para você já é o suficiente’. E detalhe: isso tudo e eu nem tinha tocado na bola. Foi horrível", segundo ela com isto ela mal conseguia tocar na bola com medo de errar, mas para surpresa do técnico Clésio Prado, que teria dito a frase acima para ela, ela terminou como titular e com apoio da torcida, pois o clube passou a render muito mais com a presença dela em quadra.

O blogueiro também perguntou, por que ela permaneceu no Curitiba, mesmo com adversidades e humilhações, a jogadora revelou que eles renovaram com ela de imediato, com mil reais, junto de sua empresária, tentaram negociar e a gestora Gisele aumentou para mil e quinhentos reais, mas logo em seguida contrataram outra líbero e disse que se ela quisesse continuar no projeto seria mil reais ou nada. Ela contou que só aceitou por ser um sonho, seria a líbero titular da temporada 2018/19 e era um sonho, que ela tinha que passar por isto pra chegar onde ela queria, novamente ela veio pra Curitiba, sem moradia, morando de favor na casa da sogra, então a Gisele ofereceu que ela morasse junto de algumas atletas na casa dela, outra promessa vazia, foi então contratado uma estrangeira e mais uma vez a Gisele, pediu que ela saísse e ficasse na casa da sogra, que seria por alguns dias só, mas terminou a temporada da mesma forma. 

Ela conta que uma das piores coisas foi, ter que arrancar 6 dentes num dia, por que a Gisele, queria que tudo fosse feito na pré-temporada, como a universidade onde elas jogavam, fornecia o tratamento dentário, alimentação, nutricionista, bolsa de estudo curso de idiomas e odontologia, seria tudo por conta deles, mas o que acabou acontecendo é que ela virou um rato de laboratório, em suas próprias palavras "

"O tratamento foi horrível, traumatizante. Eles me tratavam como um ratinho de laboratório. Cada dente era um aluno diferente que tirava. Tive que ficar duas semanas afastada dos treinamentos. E eles prometeram que iam colocar próteses novas e aparelho nos meus dentes. Até hoje não tenho dentes no fundo da minha boca e me alimento mal por isso."

Na última temporada 2019/20, encerrada pela pandemia de Coronavírus, ela finalmente tinha um contrato melhor, com R$ 3 mil por mês, mas morando de favor na sogra, e a duas horas do local de treino, tendo que sair cedo para pegar dois ônibus diferente, ela implorou e conseguiu um apartamento, mais perto a onde Gisele, falou que ajudaria com o Aluguel. porém em nome dele, ela não recebeu a ajuda prometida, mas por estar em seu nome não podia deixar o aluguel atrasar

Em janeiro acabou se lesionando. Rompeu LCA do joelho direito. 
"Foi um pesadelo total. Salários atrasados, joelho machucado, precisava de uma cirurgia e eu consegui a cirurgia com um médico (anjo da guarda) de São Paulo."

Segundo ela em sua entrevista ela, foi abandonada pela equipe, mesmo com o joelho operada tinha que ir apé até a clinica, mas pela distancia se obrigou a fazer o tratamento assistindo vídeo pelo YouTube. - Com Salários atrasados,a Gestora pagava a fatura dos cartões de créditos de algumas atletas e depositava R$ 500,00 na conta, mas ai ela parou de vez com a pandemia.


Um acordo que só a Gisele concordou
"Tentei negociar e nada. Até que chegou um dia que ela me mandou um e-mail ridículo de um acordo que ela fez e só ela concordou. Eu expliquei que eu estava machucada que não podia ficar sem receber. E ela simplesmente disse não. Foi obrigada a me virar. Comecei a vender tudo o que tinha: tênis, uniformes, móveis, etc. Fiz brigadeiro no condomínio onde moro também e tive a ideia de fazer um bingo para eu arrecadar dinheiro, tentar pagar a minha reabilitação e lutar para voltar para minha cidade."

Ela sem salário, passou a pedir doações de atletas de outros clubes, como uniformes, tendo que vender tudo pra poder sobreviver, agora ela tenta juntar dinheiro, para para voltar pra sua cidade, mas ainda tem a multa do apartamento que ela alugou com a promessa que a Gisele pagaria por dois anos e não pagou.

Sobre o Futuro ela respondeu ao Blog:

"Sim. Não posso acreditar que a minha carreira pode acabar desse jeito. Desejo começar a jogar do zero e conseguir superar tudo isso. O que eu quero com tudo isso além do respeito como atleta e pessoa, é que me paguem o que me devem (R$ 6 mil), aluguel que não cumpriram, meu tratamento dentário completo em uma clínica boa e a minha reabilitação."

Curitiba, segundo a jogadora, deve dois meses de salários e 10 de aluguel. Isso sem contar os gastos que Aninha pagou do próprio bolso, quantia referente ao tratamento pós-operatório.

O blog entrou em contato com o clube. O Curitiba Vôlei afirmou que são inverídicas as declarações da atleta.

Trechos retirados do Blog Bruno Volch do Estadão (https://outline.com/Jb52Uc)
Fotos: Ale Schneider | RNP

Postar um comentário

0 Comentários