O perigo para a oncologia em tempos de COVID-19

O medo do vírus alterou o comportamento das pessoas que, em isolamento, demoram mais para buscar o diagnóstico e tratamento oncológico


Desde o início da pandemia Covid-19, vivemos um período delicado e de muitas incertezas. O pouco conhecimento sobre esse vírus faz a população adaptar a vida a um novo normal. Dentro desta realidade, sabemos ainda da importância do TEMPO para diversos tratamentos de saúde, incluindo o câncer!

E é justamente este tempo precioso para os pacientes oncológicos que pode impactar diretamente no resultado do tratamento. Afinal, encarar o câncer é, acima de tudo, viver um dia de cada vez. Devemos lembrar que, mesmo em meio a pandemia, a vida continua e os pacientes oncológicos não podem esperar. “Nós, profissionais da área oncológica, temos como uma das grandes preocupações o adiamento dos exames diagnósticos e de controle por medo da COVID-19. O câncer é uma urgência e, por isso mesmo, não podemos perder tempo no tratamento. Desde o início da pandemia, houve uma brusca queda nos diagnósticos oncológicos no país, o que nos preocupa muito. Afinal, esses pacientes podem ter seus diagnósticos em situação mais agravada pela demora, o que pode alterar a eficácia do tratamento”, explica Dr. Bruno Roberto Braga Azevedo, CRM/PR 20472 / RQE 1012, atual Presidente da Regional da SBCO.

Dr. Bruno Roberto Braga Azevedo,
atual Presidente da Regional da SBCO
De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), 625 mil novos casos de câncer devem ocorrer no Brasil ainda este ano; porém, as chances de cura que nos últimos anos atingiram 60% e 70% devem diminuir em função do novo comportamento diante do Covid-19. O adiamento no diagnóstico e busca de tratamento devido ao isolamento social e quarentena representa risco real de morte para milhares de pessoas, já que alguns tipos de câncer evoluem rapidamente. Em números, para chamar atenção, podemos dizer que de 30 a 90 dias, essa espera pode ser definitiva para a sobrevivência ou não de um paciente.

O diagnóstico precoce continua sendo um dos pilares do sucesso do tratamento oncologico, já que a maior parte da mortalidade por câncer acontece porque a doença foi descoberta em estágio avançado, quando algumas etapas do tratamento são menos efetivas.⠀A grande preocupação dos profissionais da área e principalmente das Sociedades ligadas à oncologia é justamente alertar para esta queda nos tratamentos e cancelamentos de exames e cirurgias. “A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica regional Paraná, em concordância com os colegas, estima uma queda de pelo menos 60% no número de diagnósticos de novos casos de câncer nos últimos meses”, alerta Bruno Azevedo.

E não é um caso isolado no país, o agravante é ainda maior, quando analisamos a situação mundial. De acordo com um estudo da University College London, cerca de 18 mil pessoas podem morrer de câncer no próximo ano na Inglaterra. Ainda podemos analisar outras estimativas em publicações do Medscape e Nature, por exemplo, também com números alarmantes e isso devido ao impacto do Covid-19. “É muito importante pensar que nem sempre temos esse tempo para espaçar um tratamento oncológico e é justamente por isso que estamos nos unindo para chamar atenção para esse problema”, finaliza.

Sobre a SBCO-PR - A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica Regional Paraná é o braço no Estado da Nacional. Uma entidade sem fins lucrativos, formada por cirurgiões oncológicos que trabalham de forma voluntária com a missão de melhorar o atendimento oncológico no Paraná. A SBCO-PR tem o cirurgião oncológico Bruno Roberto Braga Azevedo como o novo Presidente para a gestão 2019-2021.

Conteúdo RS Comunicação

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