O nazismo cristão e as semelhanças entre Hitler e Bolsonaro

Outra semelhança entre Hitler e Bolsonaro, é o valor dado a brutalidade, a violência, a crueldade, a dominação e a determinação, ignorando a liberdade do outro e rejeitando todas as qualidades humanas estabelecidas

 
O recente episódio envolvendo o Secretário nacional de cultura, Roberto Alvim, já exonerado, não suscita nenhum questionamento com relação as ideias do atual governo brasileiro. Pelo contrário, reafirma todo o discurso promovido por Bolsonaro e sua “camorra” política. O flerte com o nazismo e com outras ideologias totalitárias e sanguinárias, converteu-se em união estável após a fala do ex-secretário de cultura.
 
Não foram poucas as vezes em que Bolsonaro externou o seu desprezo pela democracia, pela igualdade, pela cultura, pela educação e pela inteligência de seus ouvintes. Fossem eles seus adeptos ou não. Suas ideias, atitudes e comportamentos, ao longo de seus 30 anos de vida pública, sempre deixou transparecer o seu grande sonho. O de se tornar um grande ditador. Simplista como é, ele se apegou a dois pilares que foram fundamentais para a edificação do nazismo. O conservadorismo e a moral cristã.

As semelhanças entre Hitler e Bolsonaro, não se resumem apenas a pouca relevância de ambos na vida pública, antes de chegarem ao poder. Um estudo realizado pelo Psicanalista alemão, Walter Langer, efeito para analisar a mente de Adolf Hitler, contou com o depoimento de dezenas de pessoas que conviveram ou que acompanharam a sua trajetória política na Alemanha. Se analisarmos este estudo, veremos que Hitler e Bolsonaro possuem mais coisas em comum, do que possa imaginar a nossa vã ideologia.

Segundo Langer, as pessoas consideravam Hitler divertido, não o levavam muito a sério e acreditavam que ele não iria durar muito. Por aqui, Bolsonaro sempre foi presença marcante na TV, afim de alavancar a audiência de alguns programas com sua retórica limitada e polêmica. Hoje tem aquele Deputado no “Super Pop”. Quem nunca? Era tudo muito divertido, muitos não o levavam a sério e quase ninguém acreditava que as suas ideias preconceituosas e abjetas, pudessem ser absorvidas pela nossa sociedade, a ponto de elevá-lo a condição de chefe de estado. Tomamos, papudos!
 
Outro fato curioso que une a trajetória de ambos, é que os seus simpatizantes passaram a enxerga-los como seres divinos enviados por Deus, para restabelecer a ordem em suas nações. O Ministro para assuntos da Igreja do Reich, um tal de Hanns Kerrl, uma espécie de Damares Alves do Reich, só que terrivelmente mais cristão, chegou a afirmar que Hitler era o “Espírito Santo” e comparou a sua autoridade à de Jesus Cristo. Tinha até um credo que era professado pelo partido nazista, que dizia assim: “Todos nós acreditamos, nesta terra, em Adolf Hitler, nosso Führer, e reconhecemos que o Nacional Socialismo é a única fé que pode trazer a salvação ao nosso país.”
Por aqui, Bolsonaro foi alçado à condição de “Messias”. Não apenas pelo fato de o seu segundo nome ser homônimo ao salvador. Mas, principalmente, pela adesão de cristãos, a maioria evangélica, ao seu discurso fajuto e oportunista, em defesa do conservadorismo, da família, da moral cristã e dos bons costumes. O seu “Deus acima de tudo”, nada mais é do que uma cópia do mesmo slogan usado por Hitler, que, segundo consta, também se apresentava como cristão e defensor da família tradicional alemã. Hoje o povo alemão sente vergonha de ter produzido um dos maiores genocidas da história da humanidade. Tomara que não tenhamos que sentir a mesma vergonha um dia.

Outro coincidência que os aproxima, é o fato de que Hitler se considerava escolhido por Deus para fundar uma nova ordem social, não apenas na Alemanha, mas em todo o mundo. Ele acreditava que deveria passar por muitas provações e atribulações, para alcançar o seu objetivo e cumprir com a sua missão. Confiante em sua grandeza pessoal, o “Fhurer” difundia suas ideias como se fossem as de Deus, mobilizando os alemães a clamarem por sua intervenção divina na política do país. O nosso pequeno “Fhurer” de Glicério, também já viajou na ideia de que Deus o escolheu para cumprir uma missão no país. A de libertá-lo do Comunismo e do Socialismo, que nunca foram sistemas de governo no Brasil.

Os fiéis bolsonaristas associaram o atentado sofrido por seu líder, a uma provação divina advinda de sua obediência à Deus, no cumprimento da missão para a qual ele o designou. Oh! Tentaram matar o nosso salvador. Mas Deus está com ele. Por mais caricato e religiosamente desonesto que isto possa parecer, tal compreensão de realidade sugerida, foi assimilada por milhões de cristãos (?) brasileiros, que, a cada crítica feita ao mito dos iludidos e dos mal intencionados, passaram a demonizar e associar ao mal quem as fazia. Parece que a ficha de alguns começou a cair e estes estão procurando manter, agora mais sossegados, os seus fachos antes em combustão.
 
Outra semelhança entre Hitler e Bolsonaro, é o valor dado a brutalidade, a violência, a crueldade, a dominação e a determinação, ignorando a liberdade do outro e rejeitando todas as qualidades humanas estabelecidas. Em especial, o intelecto. Hitler engendrou uma forma de compensar suas inferioridades, inseguranças e culpas, criando uma imagem de força, autoridade e poder. Bolsonaro faz-se o seu espectro. É quase impossível associá-lo ao amor, a piedade, a compaixão, a bondade e a empatia com a dor do outro. Tais características humanas, são apresentadas por eles como fraquezas. Isso explica o seu desprezo pelas minorias, o seu ódio àqueles que se opõem ao seu discurso e a sua simpatia por ditadores e torturadores.

Falando em discurso, Hitler também não era dos mais eloquentes. Sua consciência de que era um péssimo debatedor, fazia com que ele evitasse se expor a uma plateia mais crítica. Qualquer semelhança com um certo candidato que fugia dos debates na campanha presidencial, não é mera coincidência. O “Fhurer” também ficava nervoso na presença de jornalistas e tendia a perder a compostura diante de alguma pergunta que não gostava. Evitava encontros com intelectuais e com qualquer pessoa minimamente inteligente, que pudesse questioná-lo quanto às suas ideias. É você, Bolsonaro?

Apesar de tais semelhanças entre eles, não podemos afirmar que Bolsonaro seja, de fato, um nazista. Ainda que as suas ideias para a cultura do país, vazadas por um descuido vaidoso de seu secretário inconscientemente demissionário, sejam as mesmas sugeridas pelo Ministro da propaganda nazista de Hitler, não podemos cravar tal informação. Por via das dúvidas, nos mobilizarmos para que ele saia o mais urgentemente possível do cargo que ocupa, faz-se mais do que necessário. Bolsonaro não pode mais continuar governando o país.

A não ser que queiramos constatar se ele de fato é nazista, enterrando cadáveres e erguendo memoriais em homenagem às vítimas de mais um holocausto na história da humanidade.
 
Fonte: Nêggo Tom | Brasil 247